sábado, 25 de setembro de 2010

Mais rua, menos casa, mais exclusão – O prolongamento da Jacu-Pêssego

Blog do Ecologia Urbana
É mais um projeto que exclui gente de baixa renda, dá valor ao carro e à expansão horizontal da cidade.
jacu-pessego1.jpg

Medo e progresso na Zona Leste

Com o prolongamento da Jacu-Pêssego, cerca de 10 mil moradores terão suas casas desapropriadas
MARICI CAPITELLImarici.capitelli@grupoestado.com.br
Em um ponto todas as partes envolvidas concordam: o prolongamento da Avenida Jacu-Pêssego, no trecho entre a Avenida Ragueb Chohfi, em São Mateus, e Mauá, no Grande ABC, é fundamental para o desenvolvimento da Zona Leste de São Paulo – onde moram quatro milhões de pessoas e 20% da população economicamente ativa está desempregada. Os especialistas garantem que além do impacto econômico com a geração de renda, a obra vai aliviar o tráfego local e melhorar o acesso a outras regiões. Haverá também um corredor de ônibus. E, no futuro, permitirá a ligação do Porto de Santos ao Aeroporto de Guarulhos.
Os moradores que vivem ao longo dos 9,2 quilômetros planejados para a nova avenida querem o progresso, mas estão em pânico. Afinal, cerca de 10 mil pessoas terão suas casas desapropriadas. Estão em um embate com os empreendedores. ‘Estamos com um problemão nas mãos’, admite Paulo Vieira de Souza, diretor de engenharia da empresa de Desenvolvimento Rodoviário S/A (Dersa).
A principal dificuldade é que esse novo trecho do complexo viário Jacu-Pêssego vai passar, justamente, por uma área densamente povoada e em sua maior parte por ocupação irregular. ‘Por tudo isso é um empreendimento de grande impacto social’, pondera o diretor. Ele compara, por exemplo, que o Rodoanel, que classifica como a maior obra viária do País, não teve tamanha desapropriação já que cortou regiões menos povoadas. No Trecho Sul, o número de famílias retiradas foi a metade do número previsto para a nova avenida.
Novas oportunidades
Souza tem alguns argumentos a favor do empreendimento. ‘A avenida trará empresas e vai gerar empregos em uma região que precisa disso. Isso sem falar quando estiver ligando o maior porto ao maior aeroporto da América Latina’, justifica o representante da Dersa.
Entre os números apontados para justificar a importância da obra está o fato de que, enquanto a média de pessoas sem renda na Capital é de 10,43%, em Cidade Tiradentes o índice é de 15,62%, no Jardim Iguatemi fica em 16,18% e em Mauá, que receberá parte da obra, chega a 14,20%.
Júlio Fernando Scottini, coordenador do estudo de impacto ambiental da obra, que ainda não está concluído, diz que a avenida será importante, mas prefere se ater ao desenvolvimento local. ‘O governo não consegue obrigar uma empresa a ir para uma determinada área, mas pode oferecer infra-estrutura’, diz. Em sua avaliação, a mão-de-obra na Zona Leste é fácil não só pelo número de desempregados, mas também pelos trabalhadores que estão sendo qualificados por instituições como a USP Leste e a Fatec, que se instalaram na região.
O coordenador avalia que a obra,prevista para abril de 2010, já trará impactos positivos para a vizinhança. Pelos seus cálculos serão cerca de mil empregos diretos. ‘Isso já movimenta e aquece o comércio local.’ Scottini acredita que a nova avenida acabará atraindo um eixo de prestação de serviço e comércio. ‘E talvez também indústrias que buscam melhor localização.’
Na opinião de Scottini, não é possível dimensionar o tamanho do desenvolvimento previsto. ‘Porque depende de uma série de outras medidas que não só a obra viária.’
Miguel Rachid, diretor superintendente da Associação Comercial distrital de São Miguel, afirma que os benefícios são incalculáveis. ‘A Zona Leste é a bola da vez.’ Em sua avaliação, a Capital não tem mais como crescer para o Sul, por conta das áreas de mananciais, e nem para o Norte, por causa da Serra da Cantareira.
Pólo turístico
Rachid compartilha da mesma opinião de Scottini. ‘Não adianta criar só uma avenida. São necessárias outras ações. Mas se essa obra não sair também acaba inviabilizando outros projetos’, argumenta. Ele cita,por exemplo, que existe um projeto do Ministério do Turismo para um pólo turístico em São Miguel por causa da importância histórica daquela região. ‘Mas as coisas se interligam já que para trazer turistas é preciso um sistema de transporte eficiente’, completa.
NÚMEROS
4 milhões de habitantes é a população da Zona Leste
10.021 empresas de construção civil existem na região
21.708 são estabelecimentos comerciais dos mais diversos tipos
9.152 indústrias estão instaladas na área
14.565 prestadoras de serviços funcionam em toda a região
426.306 postos de trabalho são ocupados
20% da população economicamente ativa está desempregada
16.000 mil empresas estão instaladas em São Miguel Paulista
17.000 indústrias se localizam em Itaquera

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

domingo, 29 de agosto de 2010

Como livrar-se do óleo de cozinha?

Nos tempos atuais se discute com grande preocupação formas de diminuir o impacto da ação humana no meio ambiente e como adotar medidas simples, que possam ser realizadas na própria casa, alcançando resultados satisfatórios. Uma das formas de contribuir para a conservação do planeta é separar resíduos de alimentos e descartar adequadamente o óleo de cozinha, grande vilão poluidor.

De acordo com a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo, um litro é capaz de poluir um milhão de litros de água. Para Franz Souza, diretor de planejamento da Mariano e Souza Ambiental, empresa que realiza tratamento dos efluentes e outros poluentes gerados por diversas instituições, "o óleo e a gordura utilizados em frituras não se misturam com a água, pois são insolúveis. Se o mesmo for despejado na pia ou descartado inadequadamente, os riscos ao meio ambiente são enormes, podendo causar entupimento das tubulações da própria residência ou mesmo das galerias e redes de esgotos".
Despejo
O problema ambiental é ainda maior quando o óleo de fritura chega aos rios, córregos e lagoas, pois, segundo o especialista, "com a formação de uma camada sobre a água, serão aglomerados entulhos e lixos dos mais variados tipos, o que dificultará a passagem da luz, evitando a oxigenação e evaporação da água. Causando imediatamente a morte de qualquer tipo de vida aquática".
Em caso de despejo diretamente no solo, a impermeabilização da terra pode dificultar a infiltração da água de chuva, causando enchentes.
Veja abaixo uma lista de como fazer o descarte correto do óleo de cozinha:
1 - Em hipótese alguma, despeje o mesmo na pia, ou, mesmo, nos esgotos de sua rua ou avenida;
2 - Realize o tratamento de sua caixa de gordura eventualmente. Isso irá contribuir para que os dejetos gerados por sua residência ou comércio chegue da forma correta ao esgoto;
4 - Espere o óleo esfriar, coloque-o em garrafas PET e envie-o a uma instituição que faça a coleta do produto como a ONG SOASE - Cidade Tiradentes - Rua dos Têxteis, 1361 - COOPERATIRADENTES

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Audiência Pública na Subprefeitura será dia 31

As audiências públicas sobre o orçamento, marcadas para o próximo dia 31 de agosto, às 18 horas, em todas as 31 subprefeituras da cidade, são para a sociedade civil apresentar suas demandas e sugestões, na expectativa de que a Prefeitura as leve em consideração na hora de elaborar a proposta de orçamento para 2011, que terá de encaminhar à Câmara Municipal até o dia 30 de setembro.

Aproveito para informar que o portal do Movimento Nossa São Paulo (www.nossasaopaulo.org.br) tem divulgado diversas informações sobre este tema.

Seguem abaixo os links das duas últimas reportagens publicadas no portal (sobre o assunto), para quem deseja saber mais sobre as audiências do orçamento:

Subprefeituras realizam audiências sobre orçamento da cidade no dia 31: http://www.nossasaopaulo.org.br/portal/node/11145

Oposição entra na Justiça para suspender audiências públicas do orçamento: http://www.nossasaopaulo.org.br/portal/node/11168

terça-feira, 3 de agosto de 2010

CURSO GERMINAR E FLORESCER NA ESCOLA

CURSO GERMINAR E FLORESCER NA ESCOLA
Início 16 de agosto, às 13h30

Foto: UMAPAZ/programa Aventura Ambiental/2009


De 16 a 30 de agosto, a UMAPAZ oferece o curso Germinar e Florescer na Escola, com o objetivo de motivar e ensinar técnicas de jardinagem para profissionais da área de educação, para que possam ser agentes multiplicadores no ambiente escolar.

O curso será ministrado por Assucena Tupiassú, bióloga especialista em controle ambiental e paisagismo, e professora da Escola Municipal de Jardinagem do Parque Ibirapuera. As aulas serão realizadas nos dias 16, 23 e 30 de agosto, às segundas-feiras, das 13h30 às 16h30.

Programa:

Dia 16/08/2010:
·      A importância dos jardins para os seres humanos, escolas e meio ambiente;
·      Propostas de projetos de educação ambiental para as diversas faixas etárias no ambiente escolar;
·      Técnicas de plantio e de produção de plantas.

Dia 23/08/2010:
·      Trilha para identificação de algumas espécies de árvores, palmeiras, arbustos, trepadeiras, floríferas e forrações.

Dia 30/08/2010:
·      Noções de Paisagismo e analise da área da escola para possível plantio;
·      Sugestões para implantação de projetos de paisagismo;
·      Plantios alternativos.

SERVIÇO:
Curso: “Germinar e Florescer na Escola”
Público focalizado: coordenadores e professores de educação infantil e ensino fundamental, profissionais de ONG’s que atuem, efetivamente, na área da educação. Datas e horário: 16, 23 e 30 de agosto (segundas-feiras) , das 13h30 às 16h30.
Facilitadora: Assucena Tupiassú
Coordenação: Angélica Berenice de Almeida e Suely Feldman Bassi
Local: UMAPAZ – Universidade Aberta do Meio Ambiente e Cultura de Paz
End: Avenida IV Centenário, 1.268, Portão 7-A - Parque Ibirapuera.
Vagas: 40 VAGAS – HAVERÁ SELEÇÃO entre os 100 primeiros inscritos.
Informações: (11) 5572-1004
Inscrições pelo e-mail: inscricoesumapaz@ prefeitura. sp.gov.br

terça-feira, 27 de julho de 2010

inSustentabilidade! Eis o ‘momentum’

artigo de Laercio Bruno Filho

A mídia traz a todo o momento informações sobre aquecimento global, emissão de gases nocivos, exaustão dos recursos naturais, vazamentos de óleo, desmatamentos, conflitos armados. Um cenário áspero.

Preservar a vida com alguma dignidade é uma questão de interesse global e envolve o nosso futuro e o das próximas gerações. No entanto as questões relacionadas ao desenvolvimento sustentável e habitabilidade da terra por serem mais recentes e menos conhecidas pouco ou quase nunca abordadas pela maioria das pessoas.E isto deveria ser diferente.

Com o intuito de fomentar a discussão e articular os argumentos necessários à reflexão introduzo um tema que vejo ser um dos mais críticos e complexos quando tratamos de humanidade e dos ecossistemas garantidores de sua existência: o modelo de produção e a forma como consumimos.



O esgotamento do atual modelo socioeconômico.

O sistema vigente resulta num pesado ônus político e socioambiental. E tende a se agravar em médio e longo prazos comprometendo sobretudo a qualidade de vida no futuro.

A ameaça de exaustão dos recursos naturais por conta da elevada e crescente demanda por alimentos e bens de consumo aliada à deterioração das relações de troca entre trabalho e capital resultou num perverso enriquecimento de minorias relegando à maioria a condição de pobreza. Isto levou ao enorme distanciamento socioeconômico entre classes sociais entre as nações. E nesta cadencia o cenário inexoravelmente se agravará .

No âmbito climático rios transbordam na Suíça, no Brasil, nos EUA, na Alemanha e na China com freqüências cada vez maiores.Estudos do IPCC apontam para uma diminuição da quantidade de “dias frios” e aumento dos “dias quentes”. No Ártico, na Cordilheira dos Andes e na Europa central as camadas de gelo e neve estão derretendo.

No econômico, o cientista inglês Nicholas Stern relata em seu estudo que cuidar do clima do planeta custaria entre 1 ou 2% do PIB mundial, mas os países ricos, principais poluidores ainda hesitam em agir. O grupo dos “economicamente desenvolvidos” atravessa a pior crise financeira dos últimos 70 anos, com elevados indices de desemprego. Países vão à falência e ameaçam arrastar junto boa parte da zona do euro.

Enquanto lemos este artigo centenas de pessoas morrem em decorrência de conflitos armados ou da pobreza extrema na Africa, Oriente Médio e Ásia.

Vetores que tendem a evoluir sem exceção, seja em países ricos ou pobres.

Estudos recentes elaborados por instituições acreditadas apontam que considerando-se os atuais padrões de consumo da população mundial hoje exige 2.5 planetas Terra adicionais para que dê conta de sua demanda por alimento, lazer e conforto.Estamos falando de Pegada Ecológica,assim é conhecido o indicador que aponta o esforço do planeta para sustentar a atual civilização.Procure na web por Footprint ou então no site www.wwf.org.br/pegadaecologica.

Para se ter uma boa noção do impacto sobre o planeta é interessante observar que levamos 300 mil anos para nos tornarmos 2.5 bilhões de pessoas em 1950. E desde então até os dias de hoje, aumentamos e somos mais de 6,7 bilhões de seres humanos, consumindo muito de tudo. Portanto em apenas 60 anos a população mundial mais que dobrou e a velocidade do consumo destes recursos também cresceu de forma vertical.

Não é a toa que o planeta aqueceu.

Vamos considerar que apenas uma parte significativa da população mundial, pertencente aos países conhecidos por “economias emergentes”, formada por chineses, indianos e brasileiros desejem, por exemplo, adquirir um automóvel, uma geladeira, um forno de microondas, viajar de avião, ou ainda comer carne ou pescado. Anseios, originais e meritórios, que representam alguns itens de consumo e conforto no mundo contemporâneo mediano.

Discorrendo de modo singular sobre as conseqüências ambientais para atender esta demanda, veja o que poderia acontecer.

• Haveria aumento da demanda por combustível fóssil. Maior extração e refino para produzir os combustíveis para viabilizar toda a logística envolvida. Impacto gerado: aumento das emissões de gases efeito estufa (gee) e por conseqüência do aquecimento global, contaminação do solo e dos recursos hídricos. Vazamentos de óleo durante a extração (BP/Golfo do México) ou armazenamento (Petrobras/Baia da Guanabara-2000) acontecem

• Crescimento da extração de minério para fabricação do aço necessário para a manufatura dos bens. Impacto gerado: degradação do solo, açoreamento de rios e lagos, desmatamento, demandam adicional de energia e por conseqüência maior emissão de gases efeito estufa além de outros poluentes pesados na atmosfera, nos rios e oceanos.

• Intensificação do uso de energia para operação dos equipamentos de produção de bens duráveis e de consumo. Impacto gerado: sobrecarga na temperatura global por conta da queima do combustível fóssil e pelo alagamento de novas áreas, hoje florestadas, para produção de mais energia hidrológica; aumento de resíduos tóxico e nucleares.

• Aumento da demanda em toda a cadeia da matéria–prima, mão de obra e insumos secundários para a manufatura, logística de entrega e emprego de componentes agregados como papel, plástico,aço. Impacto gerado: superexploração dos recursos naturais e maior exposição dos biomas ao risco de exaustão e extinção

• Aumento na demanda por alimentos. Impacto gerado: intensificação do desmatamento e da degradação da terra pela cadeia do agrobusiness, exaustão dos aqüíferos por conta de métodos inadequados de plantio e irrigação. Só para citarmos alguns.

Contudo, para que a exposição não pareça parcial há que se considerar que não se trata apenas de uma cadeia de destruição e ônus que se impõe.Há também uma corrente paralela de construção e de benefícios e isto nos permite uma reflexão comparativa sobre a relação.

Infelizmente esta relação é marcada por um profundo desequilíbrio, pois o regime socioeconômico vigente, excludente, não permite que a maior parte das populações possa usufruir de benefícios como alimentos, medicamentos, tecnologia e o que é pior, aqueles que podem, em sua maioria o fazem de forma perdulária.

Em 2030 seremos 9 bilhões de habitantes. Seria este o momento da profunda e extensa reavaliação necessária dos princípios e valores vigentes, uma vez que civilização atual se encontra próxima do limite de esgotamento de seus recursos naturais?

Grande parte das fronteiras à sobrevivência estão mapeadas. Já sabemos quais são e onde estão. Resta agora o mais complexo que é conceber quais serão os novos fundamentos socioambientais para uma inovadora hegemonia global e quais os paradigmas econômicos viáveis para esta nova era.

Como conciliar os anseios de uma sociedade que aprendeu a cultuar e adorar a imagem do excesso de oferta á um cenário de limitação e escassez no futuro?

Kant e o Iluminismo

A última grande revolução de idéias que efetivamente transformou o mundo foi no primeira metade do século XVIII com o Iluminismo, quando houve uma convergência de tendências filosóficas, sociais, políticas,intelectuais e religiosas. Resultando num vasto conjunto de valores e de novos princípios estruturais e pragmáticos que nos nortearam até os dias de hoje.

Nos tornamos a evolução daquele momento e agora nos damos conta de que precisamos de outra grande era de transformação.

Como definiu o grande pensador Immanuel Kant: “O Iluminismo representa a saída dos seres humanos de uma tutelagem que estes mesmos se impuseram a si. Tutelados são aqueles que se encontram incapazes de fazer uso da própria razão independentemente da direção de outrem. É-se culpado da própria tutelagem quando esta resulta não de uma deficiência do entendimento mas da falta de resolução e coragem para se fazer uso do entendimento independentemente da direção de outrem. Sapere aude! Tem coragem para fazer uso da tua própria razão! – esse é o lema do Iluminismo”.

E é disso que precisamos.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Agrotoxicos: nem lavando alimentos adianta

Lavar alimentos pode ser inútil para tirar agrotóxicos, dizem especialistas
Dirceu Barbano, diretor da Anvisa, afirmou que alguns agrotóxicos causam problemas neurológicos, reprodutivos, de desregulação hormonal e até câncer

25/06/2010 15:19

Deixar os vegetais de molho no vinagre antes de levá-los à mesa é fundamental para matar micróbios, mas nem sempre vai funcionar quando se quer tirar agrotóxicos de frutas e verduras.

A preocupação com resíduos tóxicos na comida é recente e ganhou força nesta quarta-feira, 24, quando um relatório da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) apontou alta presença de agrotóxicos nos alimentos brasileiros. Das 3.130 amostras coletadas pela agência, 29% apresentaram algum tipo de irregularidade.

De acordo com Anthony Wong, diretor médico do Centro de Assistência Toxicológica (Ceatox) da Faculdade de Medicina da USP, “se o agrotóxico for de superfície, de aplicação limitada à parte externa do alimento, elimina-se o risco na maioria das vezes lavando bemâ€�. Morango e tomate, por exemplo, poderiam ser “facilmente resolvidosâ€� assim.

A dificuldade cresce nas situações em que há penetração da substância. “Nesse quadro, a fervura pode inativá-la, mas há agrotóxicos à base de zinco ou estanho, à base de metais, que são chamados estáveisâ€�, afirma Wong. “Quando isso ocorre, o aquecimento não inativa, logo não reduz o perigo.â€�

Já o médico Wanderlei Pignati, professor de Saúde Ambiental na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), não acredita muito na funcionalidade da água. "(Lavar os alimentos) não resolve praticamente nada. Vai eliminar o agrotóxico que tem na casca, mas o grande problema está dentro", afirma.

Das 15 de 20 alimentos analisados pela Anvisa foram encontrados ingredientes ativos em processo de reavaliação toxicológica junto à agência, como o endossulfan em pepino e pimentão; acefato em cebola e cenoura; e metamidofós em pimentão, tomate, alface e cebola.

Já existe no Brasil uma “indicação de banimentoâ€� para as três substâncias. Dirceu Barbano, diretor da Anvisa, afirmou na quarta-feira que esses ingredientes causam problemas neurológicos, reprodutivos, de desregulação hormonal e até câncer.

Segundo Wong, do Ceatox, a total eliminação de situações de risco depende do governo. “Aí, só fiscalização mesmo. Não tem como eliminar por lavagem ou fervura.â€�

http://opovo. uol.com.br/ app/saude/ 2010/06/25/ int_saude, 2013989/lavar- alimentos- pode-ser- inutil-para- tirar-agrotoxico s-dizem-especial istas.shtml

Parque da Consciência Negra - Outubro 2009